sábado

Um 'não sei quê' de dar dó...


Anuário:

Do começo ao fim a mesma história só mudam os últimos números.

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Dos contrários:

para sempre iam viver felizes. até que voltaram para a terra amaldiçoada de onde haviam fugido. escalou a torre sem portas e abandonou ali a princesa. despediram-se com um beijo demorado. desafiou o exército malígno da rainha, mãe da princesa. avistou-o pela última vez, ao longe, num lindo dia de sol. sua mãe era uma rainha má. era uma vez uma linda princesa que envelhecia solitária numa torre.

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domingo

Pode piorar...

Livro:

Quem já leu
sobre o mar
o que o mar escreveu
sabe que a vida
a vida não é de quem viveu!

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Mentira:

Quando acusam alguém de mentiroso, não consigo pensar em nada. Paraliso. Medo de ser descoberto. Não sei o que mais me assusta: alguém mentir, ou alguém querer saber a verdade!

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Facto:

Not today!

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Eu. Não eu.

Monólogo com ela:

- Estou triste... disse ela, encarando-o com seus olhos castanhos, olhos tão profundos, tão cheios de significado, olhos que já viram tantas coisas, os mesmo olhos que seriam usados pelas antigas árvores, caso estas usassem olhos para expressar seus sentimentos.
- O que cativa todos ao seu redor não é sua tristeza, e sim o seu espírito livre. Este é o preço a pagar por ser livre, pensar além, viver além. Você está só.

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luaR:

"
Eu consultei e acreditei no velho papo do tal psiquiatra
Que te ensina como é você vive alegremente,
Acomodado e conformado de pagar tudo calado,
Sem bancar o empregado sem jamais se aborrecer...
"

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Vai você:
Cansei de "nunca mais".

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Deitado:

Algumas coisas acontecem tão de repente que a morte parece inevitável, mas tantas outras demoram tanto a passar que a vida parece inesgotável. Isso de viver e morrer acaba com a minha paciência. Tanto tempo, tanto tempo perdido, tão escasso. Queria mesmo era levantar desta cadeira e ir ao banheiro...

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quinta-feira

Teste de Rorschach


Atenção:

- O que você vê nesta imagem?
- Uma borboleta. [risos]
- Do que está rindo?
- Eu sempre achei que a resposta certa fosse borboleta, acertei?
- Não há certo e errado neste teste, Felipe. Apenas diga o que você vê.
- Ah tá!
- O que você vê nesta imagem?
- O Senhor já viu anime? Desenho japonês?
- Você vê um desenho japonês?
- Mais ou menos. Tem um desenho japonês que tem um carro, um carro de guerra, com metralhadoras, e um canhão, tipo um tanque.
- Você vê um carro de guerra?
- Não, não é de guerra! É duma equipe tipo o Green Peace, que defende os animais. Usam o carro pra defender a natureza contra bandidos, caçadores, esse tipo de coisa.
- Humm, um carro de defesa, então?
- Não, o senhor quer me deixar falar, ou vai ficar adivinhando o que eu vejo?
- Pode falar, mas seja breve, é o objetivo do teste é que você fale a primeira coisa que vem a sua mente.
- Ahh sim, pois então a primeira coisa que veio a minha mente foi isso. Este desenho japonês, que tem um grupo que usa um carro equipado com armamentos para defender a natureza. Em um dos episódios, eles travam uma batalha pra salvar uma sequoia gigante, não sei bem onde era isso.
- A imagem lembra a você uma sequoia gigante?
- Não! Posso continuar?
- Sim, pois não.
- Então, nesta sequoia havia uma espécie de macaco que morava lá. Achei meio estranho porque nunca havia visto macacos e sequoias relacionados antes. Deve ser o paraíso dos macacos, não é? Uma árvore gigante, cheia de galhos, até as nuvens... se bem que não tem muito alimento... ahh, mas haviam os Ewoks que habitavam árvores gigantes como sequoias... sei lá pode ser...
- Um macaco?
- Não, não! Desculpe, me perdi um pouco. A questão é: este macaco que morava na sequoia gigante que o grupo do Green Peace japonês estava defendendo com seu carro de guerra, o tal macaco, se alimentava dum animalzinho que parecia um inseto, mas era grande, tinha seis patas e tudo, mas no desenho deu a entender que era um pequeno mamífero, uma espécie rara, tipo um ornitorrinco das árvores...
- A imagem lembra um ornitorrinco?
- Não era um ornitorrinco! Digo que ‘parecia’ porque era uma mistura de animais, um animal exótico, diferente de todo o resto, uma mistura, sei lá.
- Lembra esse animal?
- O que?
- A imagem, Felipe, a imagem! Lembra um animal exótico?
- Não na verdade não. Foi só que, ao ver a imagem, lembrei do desenho, e que nunca fiquei sabendo que animal era aquele... acho que nem existe de verdade, por que era desenho, não é? O que o senhor acha?

segunda-feira

Rhythm and Blues



Eu leio Rubem Braga. Aliás, sempre li Rubem Braga [entenda ‘sempre’ como: há 15 anos leio Rubem Braga]. Nos últimos anos o tenho lido quase diariamente. Não muitos livros, mas os poucos que li, antes mesmo de terminar já havia relido várias vezes. Eu economizo Rubem Braga. Sempre guardo uma ou outra crônica, para ter sempre algo inédito dele para ler. Não sou um ‘entendido’, nem um grande ‘conhecedor’ de Rubem Braga. Apenas Gosto. Gosto muito. Não vou aqui explicar seus textos, ou o significado de “Não podemos recolher o brilho do lombo elástico de uma onda e fazer um discurso ao mar, acaso podemos?”. Não vou. Também não pretendo criar um estudo sobre o assunto, até porque, não li e não lerei uma biografia de Rubem Braga. Não vou estudar sua história de vida, ou o meio onde se formou, nem escrever uma tese ‘Rubem & Braga’. Só quero saber de Rubem Braga o que ele está disposto a dizer em seus livros. E ele diz muito. Viajo com ele por todas as cidades onde passou. Conheço todos os amigos que mencionou. Acompanho suas idas e vindas, suas dores e amores, suas felicidades simples e completas. Rubem Braga é uma ótima companhia para beber um vinho, ouvir uma música, visitar um amigo, assistir televisão, viajar. Rubem Braga nasceu em janeiro e morreu em dezembro. Completo. Perfeccionista. Depois de todo este tempo, de ter lido uma pequena parte de sua vida, penso que o conheço. Não o conheço. Mas sempre que termino uma leitura, uma parágrafo, uma crônica, um livro, sempre tenho o mesmo pensamento. A mesma opinião. Uma única frase me vem a mente: Grandessíssimo filho d’uma puta!
Leia Rubem Braga!

terça-feira

Plágio

A Flor

Podre vaso que gera podre vida. Antigamente sabia exatamente o que fazer, agora faz de um tudo sem saber. Tantas músicas completam-se, tantas frases copiadas, tantos textos relidos, tantas citações sem mérito.

Levantou-se sem pressa. - Vá caminhar, homem! disse sem pressa. - Vá pros diabos, mulher! pensou friamente, sem pressa. E lentamente o mundo mudava lá fora enquanto a mesma vida era vivida.

Certa noite decidiu: não mais. Nada mais.

O homem ficou parado diante do espetáculo maior que seus olhos já presenciaram! Uma flor.

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Parede

Pensei através da parede que o mundo aqui dentro estava fora de órbita.

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Vasto

Mundo, mundo, vasto mundo... Dane-se

quinta-feira

Concurso

Madrugada veloz

Acordou sem porque, num meio que sem querer, um estranho barulho não sabe do que. Sentou-se na cama a espera. Nada. Levantou, abriu a porta da sacada do quarto. Ficou olhando a cidade. À uma hora da manhã, era uma cidade bem calma. Pá ... pá .. pá... pá. Este estampido não muito longe o deixou alerta. Ficou ali mais alguns instantes observando a cidade parada. Voltou para o quarto, fechando a porta atrás de si, e deitou-se novamente. Virou para o lado e exclamou: Estão roubando o banco novamente – então dormiu.

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Setembros

Minha vida vai ... eu vou atrás dela

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Sinto

Você é uma pessoa pequena. Já te considerei muito mais. Antes de conhecer um pouco mais. Mas eras a minha última esperança. Pequeno, preconceituoso, egoísta e presunçoso. Um humano. Infelizmente um humano que não conhece seus limites e nem reconhece as glórias alheias.

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Lento

Inverno marrento
Calor pachorrento
muda muda
tempo tempo

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segunda-feira

Cafageste

...à tarde

Dormitei sonos ásperos em lençois rotos.

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Crê ... Credo... Cruz...
Enquanto caminhava pela larga avenida principal da cidade onde nascera, pensou comovido, ao ver um gato atravessar em sua frente: A morte mais vale ao cão do que ao rato!

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A falta que um pensamento faz é tão profunda quanto um amor nunca dito.

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Preferiu morrer.

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terça-feira

Erros

Primeiro Filho

Era sem sombra de dúvidas a criança errada. Daqueles que o erro é mais evidente que a pessoa. Nasceu no dia errado, d'outro jeito não podia mesmo ser. A hora do nascimento é a definição do impróprio. O pai não estava. As dores da mãe, como já era de se esperar, vieram antes da hora. Levada por estranhos ao hospital, passou a noite em dores e lamúrias. O pai chegou. Passou da hora de nascer. A cirurgia foi necessária. A mãe não sobreviveu. A criança precisou de aparelhos. O pai desapareceu.


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quarta-feira

Epifânia

Morte

- Que cara é essa?
- Apenas um sonho perturbador.
Todos já sonhamos com a morte. Em maioria dos casos é inevitável, acontece em um acidente, um holocausto, uma guerra, uma queda. Por mais fantasiosos que sejam, continuam perturbadores. Entretanto nesta noite o sonho de morte foi diferente. Foi a primeira vez em que subi numa cadeira, passei um laço no pescoço e esperei. Uma morte 'consciente'. Suicídio. Foram duas longas horas de sono. Um terrível medo de não acordoar, e talvez um medo maior de acordar.
- Eu já tive um sonho assim!

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Evento

preciso de um pensamento. um único. que faça sentido, que deixe-me deprimido, que não parece fingido, um já banido, que renasça distraído e venha amadurecido para deixar-me desvalido. um único.

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